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Facepe apoia projeto do GruPop que propõe novas pesquisas sobre música brega

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    GruPop
  • 4 de nov.
  • 3 min de leitura
Eliza Mell, Dany Myler, Troinha e Dayanne Henrique integram a cena de música brega pernambucana. (Foto: Thiago Soares)
Eliza Mell, Dany Myler, Troinha e Dayanne Henrique integram a cena de música brega pernambucana. (Foto: Thiago Soares)

O projeto “Aportes Teóricos e Metodológicos para Estudos das Dimensões Comunicacionais da Música Brega”, coordenado pelo professor Thiago Soares, líder do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Música e Cultura Pop (Grupop) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi contemplado no edital Facepe nº 31/2025 – APQ Pró-Humanidades, na Faixa A – Grupos Consolidados. O edital tem como objetivo apoiar projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação nas áreas das Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Artes e Letras, fomentando estudos que contribuam para a compreensão e o enfrentamento de desafios sociais, culturais, políticos e ambientais da contemporaneidade.


O projeto parte da premissa de que a música brega de Pernambuco é um fenômeno midiático que possibilita a sujeitos e sujeitas das periferias da Região Metropolitana do Recife e de municípios do interior o exercício de “cidadanias parciais” por meio da cultura. A prática artística, ao mesmo tempo em que amplia a visibilidade de seus protagonistas nas redes sociais e plataformas digitais, evidencia os paradoxos de um campo cultural marcado por desigualdades, disputas simbólicas e processos de legitimação.


Entre as metas do projeto está a elaboração do Relatório de Pesquisa “Mapeamento de Potenciais da Cadeia Produtiva de Música Brega”, voltado a subsidiar a formulação de políticas públicas para o setor junto ao poder público.


A pesquisa articula três grandes eixos analíticos:


1. Cultura pop e territorialidade – Investigando como a música brega dialoga com as teorias comunicacionais da cultura pop, reconhecendo os aspectos territoriais de Pernambuco como centrais na constituição do gênero e observando apropriações e traduções de elementos como videoclipes, memes e cinema mainstream no cancioneiro bregueiro;


2. Plataformas digitais e capital midiático – Analisando o papel das redes sociais e das plataformas digitais na expansão da cena brega e na formação de um capital digital, a partir das lógicas de influência e da criação de personas midiáticas de cantores e influenciadores digitais, como Anderson Neiff, que dialogam com públicos amplos, inclusive no campo político;


3. Economia política da música brega – Avaliando as leis, políticas culturais e processos de patrimonialização que regulam o segmento, a partir de uma abordagem crítica, observando tensões entre incentivos públicos, interesses políticos e dinâmicas de mercado.


O projeto visa criar a primeira Rede Nacional de Pesquisa sobre Música Brega, numa articulação entre cinco grupos de pesquisa registrados no CNPq, conformando investigações interdisciplinares e interinstitucionais dedicadas a pensar música, tecnologia, território, políticas públicas e cultura pop em perspectiva latino-americana. O coordenador do projeto Thiago Soares lidera a equipe do Grupop juntamente às pesquisadoras Adriana Amaral (CultPop - UFF); Juliana Freire Gutmann (Chaos - UFBA); Nadja Vladi Gumes (MusPop - UFRB) e Janaine Aires (PEIC - UFRJ).


A pesquisa se insere na área de “Cultura, Território e Economia Criativa”, reconhecendo a música brega como uma prática cultural popular e periférica, composta por saberes construídos fora dos espaços formais de ensino. Os artistas bregas, muitas vezes distantes de conservatórios e instituições musicais tradicionais, constroem formas criativas de produção que expressam resistências e reconfiguram o papel da economia criativa no desenvolvimento local. Ao valorizar essas expressões, o projeto reforça a importância de compreender a música brega como um vetor de cidadania cultural, inclusão social e inovação estética, apontando caminhos para a valorização da diversidade cultural e para o fortalecimento das redes criativas populares que constituem a paisagem musical e comunicacional de Pernambuco.

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