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Pesquisa de pós-doc sobre brega realizada no Grupop apresenta resultados em Seminário da FACEPE

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    GruPop
  • 11 de nov.
  • 4 min de leitura

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Começou na última segunda (10) o Seminário Pós-Doc da Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE) de 2025, reunindo bolsistas e ex-bolsistas de pós-doutorado da Fundação para apresentar os resultados parciais ou finais de seus projetos de pesquisa. O Seminário, que ocorrerá até a sexta (14) na modalidade remota, contará com a participação do bolsista integrante do Grupop, Mário A. O. M. Rolim, que foi agraciado com uma Bolsa de Fixação de Pesquisador da FACEPE entre setembro de 2024 e agosto de 2025. Ao longo deste tempo, Rolim conduziu a pesquisa “Em Busca das Singularidades Estéticas do Brega Pernambucano”, supervisionada pelo professor Thiago Soares, coordenador do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Música e Cultura Pop (Grupop) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).


A pesquisa visou dar continuidade aos estudos sobre esse gênero musical que tem aparecido cada vez mais nos últimos anos, com destaque para o livro “Ninguém É Perfeito E A Vida É Assim: a música brega em Pernambuco”, lançado por Soares em 2017 com textos escritos ao longo da década anterior. No Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da UFPE, Tiago De Jesus Santos Costa, Antônio Lira, Pedro Alves e Rafael Andrade defenderam dissertações de mestrado com o brega como tema principal, sendo os três primeiros participantes do Grupop. Além disso, neste mês o projeto “Aportes Teóricos e Metodológicos para Estudos das Dimensões Comunicacionais da Música Brega”, coordenado por Thiago Soares, foi contemplado no edital Facepe nº 31/2025 – APQ Pró-Humanidades, na Faixa A – Grupos Consolidados.


Essas pesquisas dialogam com o debate público na medida em que fornecem argumentos para a crescente “institucionalização” do brega, ou seja, sua inclusão em políticas públicas voltadas para a cultura em diferentes esferas estatais (estadual, municipal e federal).


SINGULARIDADES ESTÉTICAS – No caso da pesquisa “Em Busca das Singularidades Estéticas do Brega Pernambucano”, a proposta foi adicionar matizes ao debate público, que geralmente tem se sustentado em argumentos de base econômica, que defendem o brega pela sua capacidade de gerar centenas de empregos de modo direto e indireto, pela forma como ele movimenta a economia local ou pela possibilidade de ascensão social que ele proporciona; ou de base sociológica, que relatam que a valorização pública do brega é importante na medida em que esse gênero está associado às populações periféricas, pobres e/ou negras do Recife, e por isso ganha relevância em termos de representatividade.


Sem deixar de reconhecer a importância dessas linhas de argumentação, o trabalho tentou investir justamente nas lacunas desse debate, se voltando especificamente para os aspectos estéticos do brega, entendendo “estéticos” não como sinônimo de “formais”, e sim em sentido mais amplo, englobando afetos, emoções, gestos, posturas etc., ou seja, formas de comunicação e de conhecimento que não se restringem aos domínios da consciência, da linguagem ou da produção de sentido. Ao se voltar para esses aspectos, a ideia era que seria mais possível identificar o que singulariza o brega pernambucano em relação a outros gêneros, ao mesmo tempo em que se pode relacioná-lo com outras expressões culturais da América Latina ou da música afrodiaspórica, ou situá-lo dentro da história da colonização empreendida pelos europeus a partir do século XV.


ARTIGOS SOBRE BREGA RESULTANTES – A pesquisa rendeu dois artigos enviados para revistas científicas, “Os Regimes Coreográficos Do Brega Pernambucano: articulações entre gesto, corpo, som e mídia”, e “Do Caranguejo Ao Rato: metamorfoses corporais na música pop pernambucana”. O segundo foi apresentado na edição de 2025 do Congresso da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação), realizado em Vitória, Espírito Santo, no Grupo de Pesquisa Estéticas, Políticas do Corpo e Interseccionalidades.


Bolsista Mário Rolim, à direita, durante debate no congresso da Intercom de 2025 (Foto: Jorge Cardoso Filho)
Bolsista Mário Rolim, à direita, durante debate no congresso da Intercom de 2025 (Foto: Jorge Cardoso Filho)

Em resumo, o artigo articulou aos três estilos do brega certos regimes coreográficos, ou seja, articulações entre certas coreografias, gestos e movimentos; modos de perceber essas práticas; maneiras de conceituar essas ações; traços estilísticos vinculados a dado gênero artístico e certos ecossistemas midiáticos. A partir dessas articulações entre estilos e regimes coreográficos, visou-se evidenciar relações entre gesto, corpo, música e mídia que são singulares ao contexto do brega.


Já no segundo tentou-se discutir possíveis razões para uma transição no animal-símbolo da música pop pernambucana, do caranguejo (ligado ao manguebeat) para o rato (conectado ao brega funk contemporâneo). Para implementar esse debate, foram consideradas não só questões estéticas, mas também fatores ecológicos como a desigualdade social e a degradação dos manguezais.


OUTROS RESULTADOS – O período de pesquisa também rendeu resultados para além desses dois artigos que tiveram o brega como tema principal. No âmbito do ensino, foram ministradas duas disciplinas, sendo uma no PPGCOM da UFPE (“Estudos de Performance na Comunicação”) e outra no curso de Estudos de Mídia da UFPE (“Cultura das Mídias”). Quanto à pesquisa, dois artigos foram publicados em revistas científicas, o e-book "Introdução aos Estudos de Cultura Pop" escrito em coautoria com outros integrantes do Grupop foi lançado, e outros três artigos submetidos a revistas aguardam parecer. Por fim, outras atividades envolveram a participação na comissão científica do 3º Simpósio Popfilia e a orientação de um bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) da Capes, Guilherme Souto, que conduziu a pesquisa “Videoclipes como mediadores da rede de música pop periférica na América Latina”.

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